Véi 2.0*: de Hop Lager a German Pilsner

O processo de reformulação da cerveja elaborada para homenagear Brasília


Por Mateus Vidigal


Há pouco mais de dois anos, em abril de 2020, a fim celebrar o aniversário de 60 anos de Brasília, nós, da Cruls, junto aos amigos da Corina, lançamos a Véi, uma cerveja leve, clara e refrescante com adições extras de lúpulos alemães.


Como podem ver na foto acima, naquela época, o termo Hop Lager estampava o rótulo da Véi. E foi assim até um passado consideravelmente recente.


Breve explicação para não-moradores-do-DF: o nome da cerveja faz alusão a uma gíria bastante difundida & versátil usada em todo Distrito Federal nas mais diversas situações do dia a dia (principalmente como sinônimo de cara, mano, etc), mas voltemos ao assunto cerveja...


Depois de quase dois anos do lançamento da Véi, a receita passou por uma reformulação: deixou de ser uma Hop Lager para se tornar uma German Pilsner.


Na foto a seguir, é possível ver as mudanças nos dados que aparecem na lata: além da troca de Hop Lager por German Pilsner, o ABV (teor alcoólico) saiu de 5% para 5,9% e o IBU (índice de amargor) sai de 20 e vai para 33.


Mas, o que levou a Véi ser reformulada?


O que faz uma cerveja passar por um processo de reformulação?


Para responder essas perguntas, resolvi chamar os dois responsáveis pela receita da Véi: Tiago França, mestre cervejeiro da Corina, e Marcos de Paula, gerente de inovação e qualidade da Cruls.

O Tiago (foto ao lado), mais conhecido por Tião, explicou que, desde a concepção da cerveja, o objetivo sempre foi fazer uma Lager com uma pega extra de lúpulos alemães, fugindo um pouco do recorrente uso de lúpulos americanos.


Ao mesmo tempo, a fim de fornecer uma percepção diferente desses lúpulos mais clássicos aplicar "pitadas de técnicas de lupulagem americanas, promovendo adições tardias e dry-hopping".


Ao contextualizar o gatilho de toda mudança, o Marcos, da Cruls, conta que, com o passar dos lotes da Véi-Hop-Lager, veio o sentimento de que a cerveja ainda não estava exatamente onde deveria: não apenas do ponto de vista sensorial, como também fabril.

Acredito que o início de toda reformulação foi essa inquietação sensorial, por assim dizer, mas também a partir do entendimento da necessidade de mudanças de processos de produção. Falando de processos, era uma cerveja que demorava muito em tanque, principalmente por conta do dry-hopping. Esses dois incômodos, por assim dizer, nos fizeram rever a receita com o objetivo de tornar a Véi uma Lager mais refinada e mais sustentável. Assim, partimos para um rearranjo de alguns processos, como, por exemplo, mudanças no balanços de sais, alteração de lupulagem da parte fria para a parte quente, entre outros. Marcos de Paula

Tião lembra que, formalmente, não existe um estilo Hop Lager categorizado em guias como BJCP ou BA. Nós já recomendamos esses guias em outro texto do Blog, que você pode acessar clicando aqui.


O mestre cervejeiro da Corina fala também que, a cada lote, pequenas mudanças foram acontecendo como ajustes de água, posicionamento dos lúpulos, tempo e temperatura, retirada do dry-hopping, e que essas mudanças acabaram conduzindo a cerveja para algo próximo de uma German Pilsner.


Era chegado o momento de abraçar de vez essa ideia.

Penso que, entre as mudanças que fizemos, a mais distinta daquela que era a proposta original da Véi foi a retirada do dry-hopping que existiu até o terceiro lote. Nós percebemos que conseguíamos trazer a informação sensorial oriundas do DH realocando esses lúpulos totalmente para o final da fervura e durante o whirlpool. Nesse sentido, vale comentar que, apesar de estarmos falando de uma cerveja e virou praticamente toda alemã, ainda mantivemos um processo de adição tardia de lupulagem - bem alta, aliás - típica de estilos modernos de IPAs dos EUA. Tiago França

Já há alguns meses, a Véi German Pilsner - agora também filtrada - passou a circular em pontos de venda sob o formato exclusivo de chope. Mais recentemente, voltou a aparecer nas já tradicionais latas azuis.


"Agora, acreditamos que temos um produto muito mais refinado e agradável do que os primeiros resultados há dois anos", defende Marcos (foto ao lado).


A Véi, está disponível em lata aqui e em chope em diversos pontos do Distrito Federal.


E aí? Chegou a beber a Véi antes e depois da reformulação? O que achou? Não se esqueça de nos avaliar lá no Untappd!


Ficou alguma dúvida? Querem fazer alguma pergunta específica a respeito dessa ou de outra das nossas cervejas? Qual assunto gostariam de ver sendo abordado aqui no Blog? Deixem seus comentários aqui no texto ou nas nossas redes sociais!


Tchau!

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